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Você pensa em si mesmo?

em 11 de julho de 2020



Boa tarde amantes das letras.

Hoje vim ate aqui pra falar um pouquinho sobre nós mesmos. 

Já parou pra pensar quantas vezes você para pra pensar de fato em você? O que você quer, o que você gosta, o que você pensa. Na maioria das vezes nós nos preocupamos muito com o que os outros vão pensar, o que é certo ou errado perante a sociedade ou o meio quem que vivemos, se vai ser eficiente diante disso ou aquilo tomarmos aquela decisão. E o que nós queremos, e o que nos faz bem?

Nos culpamos o tempo todo por algo que não fomos capazes, seja pequeno ou grande, muitas vezes quando paramos um minuto para descansar ou relaxar vem alguém e nos boicota dizendo que o mundo esta correndo lá fora e nós estamos parados e seremos passados para trás, mas espera ai, é isso mesmo? Essa eterna luta constante que não nos deixa parar um minuto para respirar?

É isso mesmo que esperam de nós? Noites mal dormidas, porque ate mesmo durante o sono ficamos tão preocupados que não somos capazes de nos desligar desse mundo altamente competitivo e doente?

E aquela parte de que não devemos ser gananciosos, devemos sim almejar nosso crescimento e conforto e ajudar nosso próximo, onde entra tudo isso?

Será que nós que queremos apenas ter uma vida saudável, trabalhar e poder fazer o que amamos em paralelo de maneira tranquila, ter apenas o que necessitamos para uma boa vida e buscar auxiliar o próximo da maneira que nosso próprio crescimento nos possibilita esta errado?

Tenho uma religião, e acredito que muitos que lerão esse texto podem ter a mesma ou outra ou nenhuma, mas qual é o sentido da vida diante do que você acredita?

As vezes eu vivo em torno de pessoas tão extremamente capitalistas que chego realmente a pensar que eu devo estar agindo errado, que a forma como eu penso não deve fazer sentido, porque não é possível essa cobrança desenfreada que nós sofremos a todo tempo, mas a minha doutrina me ensina coisas tão diferentes e coisas das quais eu acredito e me identifico e tento com toda minha força seguir, ainda que seja extremamente difícil, e não consigo acreditar que a vida seja um eterno sofrimento, pra mim a vida é um eterno crescimento, teremos momentos bons, teremos momentos ruins, nem todo o tempo tudo será bom e fácil, como nem sempre tudo será difícil e ruim, tudo depende do que precisamos aprender diante daquela situação. 

As vezes me sinto perdida e insegura, é muito difícil lidar com pessoas que são e pensam tão diferente de nós, mas as diferenças devem servir para nos fazer crescer e evoluir, para aprender e ensinar coisas novas, e não para desejar que o outro seja como você e que sua realidade ou pensamento é o completamente correto. 

Cada um tem sua maneira de enxergar a vida e é essa diferença que faz o mundo crescer e mudar, são todos esses pensamentos contrários que nos fazem mudar nossas opiniões, nossas compreensões e refletir sobre nosso caminho. 

Tudo é um aprendizado, passo a passo, cada pessoa tem o seu tempo, o que funciona pra você pode não funcionar para o outro e vice e versa, nem tudo é absoluto, nem tudo é 100% igual para todos, as diferenças estão ai para serem respeitadas. Se algo te fez pensar diferente, fez sentido pra você e você decide mudar seu pensamento diante daquilo que acreditava, isso é lindo, e se não o fez, tudo bem também. 

O respeito é o que nos leva mais longe, podemos sim apresentar ideias para os outros, passar nosso conhecimento e nossas experiências, mas não podemos exigir que aquilo seja aceito por ele. 

Se soubéssemos viver melhor com essas situações e cada um fizesse sua parte com respeito e responsabilidade seria muito mais fácil trabalharmos em prol de educar o mundo para um novo mundo. 

Por que ler Simone de Beauvoir?

em 27 de junho de 2020


Boa tarde Pessoal, 

Hoje estou aqui porque preciso falar sobre Simone de Beauvoir. 

Há aproximadamente dois meses atrás eu resolvi que daria mais um passo para alcançar meu sonho, um que já estava a anos preso em meu coração, e realmente dei, me inscrevi em um curso de preparação e revisão de textos  e sozinha, separei um caderno e comecei a pesquisar os escritores clássicos que fizeram toda a diferença para a literatura,  nessa pesquisa fui um pouquinho mais a fundo na história de Simone de Beauvoir e desde o princípio já senti que me identificaria muito com as ideias dessa mulher tão incrível, e assim foi, no mês de junho uma pessoa muito especial desenvolveu um estudo dirigido sobre Simone e eu tive o prazer de participar, ter descoberto o Instagram Clarices e Marias foi uma das coisas mais incríveis que me aconteceram nesse ano, e a partir de hoje, onde a Michele nos convidou à assistir uma live com Aline Bei, autora de " O peso do pássaro morto" eu me senti ainda mais confiante de que estou no caminho certo e que não posso calar a minha voz.  

Escrevo há muitos anos, e sempre tive o sonho de tornar isso público e divulgar minhas escritas para as pessoas, gostaria de compartilhar tudo o que acontece aqui dentro, tomei essa iniciativa há três anos atrás criando o Doces Sonhos e hoje me sinto muito mais madura para liberar minhas ideias, cada novo passo que dei ao longo desses anos foram me tornando essa pessoa mais corajosa e confiante, ainda não acredito no meu potencial como deveria, mas ao fazer esse estudo dirigido e acompanhar o que a Mi faz tão maravilhosamente bem em seu Instagram, divulgando as mulheres na literatura, eu tive certeza que preciso continuar e preciso ir ainda mais além.  Meu romance será publicado no próximo ano, tomei essa coragem e nada me fará desistir. 

Agora vamos à Simone de Beauvoir, essa mulher inspiradora que me fez enxergar o quanto minhas lutas não são em vão, me fez ver o quanto ela foi maldita pelas pessoas, o quanto sua história de vida foi distorcida e por tudo que teve que passar. Suportou julgamentos e olhares críticos por ter coragem de fazer algo que ninguém tinha, em uma momento tão difícil para o sexo feminino e lidar com preconceitos que ate hoje acontecem frequentemente. 

Durante todos esses meses publiquei pequenos vídeos falando sobre a leitura e em um determinado momento recebi por inbox uma pergunta: "Você acha que ela foi feliz?" e minha resposta foi, sim, ela foi feliz como nós somos, em momentos sim, em outros não. Acredito que ela viveu como gostaria de ter vivido, foi bastante difícil, ela foi uma mulher de garra, a frente do seu tempo, sofreu inúmeros ataques por ter coragem de lutar por uma vida livre e deixar seu legado, que era exatamente o que ela queria, sentia que era uma vocação. Foi de fato uma intelectual, extremamente inteligente, viveu por isso e para isso, teve amores e amigos de longa data. 

Simone simplesmente não desejou se casar e nem ter filhos, não quis uma vida convencional, mas amou e foi amada. 

A vida de Simone de Beauvoir foi completamente distorcida pelas mídias, reduziram sua obra magnífica em algo sexual  e sua vida a uma seguidora de Sartre.  As pessoas que não conhecem sua obra a fundo e nunca leram algo fiel a sua vida mantém a mesma linha de pensamento, o que não faz o menor sentido. 

Primeiro já deixo claro sua história com Jean-Paul Sartre, Beauvoir nunca foi traída, sua relação com Sartre era de uma amizade profunda, muito maior do que de cunho sexual, ambos mantiveram um relacionamento aberto onde em 90% de sua vida juntos não tiveram relações sexuais, seus relacionamentos sempre foram de conhecimento mútuo, nada era escondido, Simone viveu diversos romances, e teve sentimentos de paixão muito mais intensos do que para com Sartre, que como ela mesma diz era " o amigo incomparável de meu pensamento". 

Simone teve uma influência significativa tanto no existencialismo feminista quanto na teoria feminista, devido ao machismo centralizado da década de trinta permaneceu a conclusão de que Jean-Paul Sartre havia desenvolvido a ética existencialista, apesar de a obra de Beauvoir sobre esse assunto ter sido escrita e publicada primeiro. 

Em muitos momentos de sua vida isso aconteceu, Sartre sempre foi colocado a frente das ideias e ela apenas como sua discípula, lendo a biografia em alguns momentos sentimos raiva e pensamos no porque Simone não brigou por suas autorias vindas de sua enorme inteligência e dedicação, mas ela era o tipo de filósofa que não pensava que a importância era de quem tinha a ideia e sim se essa era verdade ou não. Mais de uma vez ela se mostra superior a todos esses pequenos detalhes, e o que queria de verdade era mudar o mundo para as mulheres. 

Em um momento da leitura chegamos a explicação do que seria a facticidade e a transcendência dentro do existencialismo, a facticidade representa todas as coisas contingentes e não escolhidas a nosso respeito, como a hora ou o local em que nascemos, a cor de nossa pele, o sexo, a família, o corpo. E a transcendência refere-se à liberdade de ir além dessas características e chegar a valores - que dizem respeito ao que escolhemos fazer com os fatos, como nos moldamos por meio de nossas ações. Isso nos leva a outro fato convicto para Beauvoir " ser si mesmo não significa ser o mesmo desde o nascimento até a morte. Ser si mesmo implica mudanças perpétuas com outras pessoas que também estão mudando, em um processo de devir irreversível" . Esse contexto me parece perfeito, real e concreto, nos transformamos a todo tempo, porém em uma sociedade completamente machista e preconceituosa como por exemplo poderia transcender uma mulher trancada em um harém? Simone era convicta de que isso era errado, nem todos os seres-humanos são livres para transcender, ela nos diz "há uma diferença entre ter liberdade (no sentido de ser teoricamente capaz de fazer uma escolha) e ter o poder de fazer uma escolha na situação real em que ela deve ser feita". Se analisarmos isso além do contexto feminista incluindo negros, homossexuais e outras classes menos favorecidas, faz total sentido. 

Falar de Beauvoir e de toda sua trajetória é complicado pra mim, grifei e marquei com post-its praticamente o livro inteiro, pois cada palavra ou ideia se encontrava completamente com as minhas, e me pego pensando, imagina se ela voltasse ao mundo agora para uma visita e descobrisse que em pleno século XXI tudo o que ela lutava ainda existe, que poucas coisas na vida das mulheres foi de fato conquistada? Acredito que ela ficaria decepcionada e é isso o que me leva cada dia mais a acreditar que estou no caminho certo, Beauvoir escolheu ter uma vida livre, com relacionamentos abertos e sinceros e foi taxada de promiscua diferentemente de tantos homens que sempre viveram esse tipo de vida, e quando escreveu seu famoso tratado " O Segundo Sexo" era exatamente isso que ela queria, fazer com que outras mulheres tivessem coragem de soltar a sua voz. 

O Segundo Sexo foi extremamente criticado e ao mesmo tempo líder em vendas na época, após sua publicação muitas outras mulheres se prontificaram a escrever e publicar seu escritos, quando o livro foi traduzido para o Inglês e lançado nos Estados Unidos, 15% da obra foi excluída sem a permissão e nem ao menos o conhecimento de Simone, o que modificou completamente o foco do tratado e sua publicação correta só foi disponibilizada em 2003. 

Fui até o Youtube para assistir a poucas entrevistas que Beauvoir concedeu durante sua vida, e ouvi-la falar é algo que me dá um imenso orgulho, inteligente ao extremo, e ainda mais estudiosa, Simone não permite nenhum tipo de afronta por parte dos repórteres e age a todo tempo convicta de suas palavras e opiniões. 

Estou encantada por essa Mulher, e gostaria muito que quem ainda não leu sobre sua vida ou suas obras abra um espaço para isso, quanto mais estivermos unidas, quanto mais lutarmos por nossos direitos, mais e mais teremos um mundo melhor para viver e criar nossos filhos, o feminismo é uma luta para homens e mulheres, e a obra de Simone de Beauvoir é uma bíblia para a conquista dessa batalha. 

em 20 de maio de 2020

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